Sedutora


Toda vez que a abro vejo um reflexo central gerado pela luz mais próxima que estiver atrás de mim. Simetricamente disposta como um retângulo e altamente convidativa, ela se faz presente na minha frente como se me desafiasse. Ela me faz pensar em tudo, tudo mesmo. Como se me estivesse perguntando, o que vai ser hoje? Às vezes penso que o desafio nem sempre é vencido. A pergunta que fica é se inclusive se alguma vez foi, talvez se fosse, eu não voltava a ela. Nos olhamos e dizemos sem meias palavras que tudo ali é verdade e que o sentimento depositado não é nem um pouco exagerado, nem mesmo tragado pela vontade estúpida de exercer um conservadorismo idiota. Voltando às lágrimas ela me seduz novamente como minha melhor amiga ou minha melhor amante. A verdade é que não estou conseguindo viver sem ela e tudo que vai e volta, volta a ela. Sou seu refém. Sou, na verdade, um feliz refém dos seus espaços. Suas linhas vazias são preenchidas pelos meus mais belos sentimentos e não me importo em expô-los de qualquer maneira. Penso que talvez um escritor moderno nunca sinta a magia de escrever em um papel carregado de história, juntamente como uma pena com tinta fresca como nos filmes de época, mas ele sabe que os sentimentos ainda existem e cada um a sua maneira não fugirá nem mesmo nas entrelinhas dela. Mas afinal, quem é ela? Ela é meu terapeuta enquanto eu sou seu dono, ela é minha voz enquanto eu sou sua consciência, ela vive enquanto eu durmo, ela me pergunta e eu respondo, ela vazia me enche, ela é minha e eu sou dela. Aquela folha em branco.

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© 2020 por Julio Lombaldo.