Professor

Julio Cesar Lombaldo Fernandes

Departamento de Matemática Pura e Aplicada, UFRGS

Ramal 7088, Sala B119 Campus do Vale

E-mail: julio.lombaldo@ufrgs.br

E então Matemático, o que você me diz?

 

Um matemático por si só não pode compreender o mundo, mas ele vai sempre tentar! Teimosia ou não, eis a questão: Até onde ele vai? 

 

As questões relacionadas ao dia-a-dia de um "amante dos teoremas" são bem mais complicadas do que simplesmente os números. Uma profissão tão nobre e tão desvalorizada ao mesmo tempo, no país das diversas "Lava-Jatos", não poderia ser alvo de apreço popular. Afinal, questionamentos como: "É só professor ou também trabalha?" lhe dão base para seguir carregando com mais vontade ainda sua pesquisa nesse país. As infundadas afirmações sobre o futuro da profissão assombra qualquer estudante de pós-graduação, bem como eu fui alguns anos atrás. Eles se perguntam como é possível ser tão importante para o país e receber bolsas de estudos que beiram de 10% a 30% do salário de um recém formado em engenharia, por exemplo. As possibilidades dos matemáticos fora do Brasil são um pouco mais encantadoras. É possível trabalhar em diversos setores da industria, por exemplo, no setor de finanças e inclusive com consultorias em diversos campos. E aqui? Professor! (ou trabalha também?!)

Porque ser um Matemático então? E ainda por cima, no Brasil? 

A paixão por trás da profissão vem de incontáveis motivos, a pesquisa por si só é uma fonte de reconhecimento em poucos lugares da nossa sociedade. Os congressos (ainda bem que eles existem) estimulam estudantes de pós-graduação mal pagos a continuarem suas pesquisas e fazem da nossa vida uma coisa menos tediosa. Os desafios existentes e que não se resumem somente a esses vão sustentando a escolha maluca, muitas vezes assim denominada pela sociedade, de realizar uma sólida, longa e as vezes "infinita" pós-graduação em terras tupiniquins. Se você é um deles, minha dia é: nunca desista!

As virtudes de um profissional da área são infelizmente mascaradas atrás de uma carreira afunilada em geral para a pesquisa de nível nacional. Afunilamento esse que define em outras palavras o limite das grandes idéias que beiram, chegam e com a mesma velocidade vão embora devido as ocupações burocráticas da maior parte das universidades nacionais. Tenho certeza que graduados, mestres e doutores em matemática são capazes em sua grande maioria de fácil aprendizado em qualquer área da ciência de maneira autodidata. Bem como nos cargos citados anteriormente. Porque só o Brasil não paga pra ver? 

Ainda assim, somos um país que recentemente foi premiado com uma medalha Fields (o nosso Nobel) onde Artur Ávila mostrou ao mundo sua pesquisa em sistemas dinâmicos realizada no departamento de matemática do "Centre National de la Recherche", universidade francesa. Nesse caso o Brasil não figura apenas nos dados do passaporte de Artur, pois ele fez um concomitante mestrado e doutorado no IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e só após foi para França. Apoiado pelo instituto estrangeiro, assim como eu também fui e muitos foram, ele desenvolve sua pesquisa fora do país já faz mais de 14 anos. Essa medalha seria só "nossa" se ele estivesse trabalhando aqui? Talvez. A verdade que ainda não pagamos pra ver, como já disse. A opinião forte de que já passou o tempo de investigar isso, carregada não só por mim, mas pela maioria dos pesquisadores brasileiros, e não só da área de ciências exatas, é gritante. 

A minha nova e permanente casa, a UFRGS, me fornece a liberdade de pesquisa sonhada por muitos pesquisadores da minha e de outras áreas, fazendo um papel de suma importância no dia-a-dia da carreira docente. Para meus alunos em geral, uma das mensagens que gostaria de passar é que sempre devemos pensar que nosso conhecimento deve ser incrementado diariamente com novas perguntas e respostas, pois para as respostas que queremos devemos fazer as perguntas certas. Para meus alunos da matemática, deixo uma frase de Leibniz:

 

"A matemática é a honra do espírito humano"

 

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© 2018 por Julio Lombaldo.