Completos!

Sexta-feira é dia de bar, já dizia meu avô. Ali é que sempre rolam as mais profundas teorias existenciais, e veja bem, não é nenhuma brincadeira. É sério. Na última sexta meu grupo de amigos estava desfalcado de mais ou menos 60% da equipe, mas isso não significa que jogo transferido ou algo do tipo. Aqui no Bom Fim, se joga! Fomos nós, 40%, um grande total de duas pessoas. O jogo existencial tinha apenas começado quando minha amiga disse que nós como seres humanos somos já completos e não precisamos de mais nada. Parei! Olhei ao redor e vi que os primeiros goles de cerveja recém se desfaziam nas duas gargantas, fluíam com a mesma lentidão da que eu assimilava a frase. Pensei se ela estaria correta, dei cartão amarelo e pedi um tempo: “Podemos voltar a tocar no assunto depois da terceira cerveja?” Ela respondeu, obviamente, que sim. Seguimos os rumos de assuntos mais leves e menos assustadores. Foi quando ao enxergarmos o fundo seco da terceira garrafa e falamos ao mesmo tempo: “E aquele assunto?” Risos. Perguntei de fato o que ela queria dizer com aquilo. Falava ela de relações conjugais, me explicou que independente da pessoa que temos, ou não temos, seremos sempre completos. Não precisamos de alguém para existir juntamente, não queremos e não podemos nos enganar com isso. Essa ou aquela não é melhor pra você porque ela tem algo que você não tem. Nunca foi e nunca será. Alguém só pode te acrescentar, e esse é o espírito da relação, se não te acrescenta, não serve. Cedo ou tarde você perceberá isso, e nesse momento já se deu conta que inclusive já aconteceu com você. Não é? Então, siga somando, mas não se preocupe, você já é completo. Verdade, talvez as garrafas de cerveja não continuem completas, mas enfim. Nem tudo pode ser completo, afinal talvez as melhores teorias sejam criadas no improviso ou na falta de alguém, que aqueles 60% nos perdoem, mas independente das garrafas vazias ou não, estávamos certos. Complete-se (nem que seja de cerveja).

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