Prólogo 3 ...

Karlsruhe, Alemanha, 23 de julho de 2014,

 

"Eram passadas apenas 23 horas desde o primeiro beijo, mas não queria que aquele fosse o último. Os sons da estação central de trem da cidade “leque” já emitiam o último aviso para ela entrar no trem para Sttutgart, talvez eu nunca mais a visse. Era como se em menos de alguns meses eu colocasse fora todos meus amores. Que sensação ruim, que ódio. Parei, pensei, respirei fundo, mas não contive o choro. Chorava já pelas lembranças das 23 horas mais intensas que tinha vivido até aquele momento. Lamentava mais um adeus. A dedicação em cada gesto, cada beijo, cada olhar, me lembrou as três vezes em que estive no mesmo ponto na praça em frente ao Castelo de Karlshure, conhecido como Schloss. A primeira quatro dias antes, sozinho e sentado no ponto onde jamais imaginei que minha vida mudaria tanto, analisando a simetria tão alemã presente na construção que estava na minha frente a 150 metros. A segunda, já com ela, naquela madrugada quente cerca de 2 horas da manhã, onde os únicos rumores eram de garrafas batendo nas mãos de jovens adolescentes que consumiam álcool sem o menor pudor. A terceira, ainda no mesmo dia, numa tarde ensolarada e de mãos dadas a ela e sem parecer que haviamos conhecido um ao outro a apenas poucas horas, mas sim aparentavam anos de convivência. Foi quando ela repousou sua cabeça entre meus braços, esticando por sua vez os seus e deixando visível a mais bela tatuagem que vi em uma mulher. Escrito sobre seu punho direito a palavra delicadamente delineada: “Love”. O número 3 se fazia presente naquela cidade outra vez, pois na plataforma 3 acordei daquele sonho, levantei a cabeça e vi os olhos dela também tomados pelas lágrimas. Era muito amor pra uma só pessoa, seu nome era Anne Marie."

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