The King's Weekend

August 14, 2017

 

Benditas sejam as coincidências, não? Pois é, o caro viajante aqui certa feita pensou: Porque não um fim de semana “qualquer” em Amsterdã com dois grandes amigos? Essa inocente pergunta retumbava sobre as nossas mentes em um começo de março qualquer (na verdade de 2014). Nós, ainda estudantes de doutorado e com apenas os fins de semana de folga dos teoremas, tínhamos que nos reunir para celebrar com uma cerveja de qualidade a amizade desde os tempos de graduação da querida universidade federal do rio grande do sul. Eu aqui, morando em Turim, outro ali morando em Granada e mais um acolá morando em Londres. Quem vai para onde? Que tal os três saírem, hein? Pois bem. Vejamos, de maneira aleatória, qual a probabilidade de escolhermos um fim de semana que tenha bom tempo em Amsterdã? Pequena. Qual a probabilidade de escolhermos um fim de semana que os três de fato possam sair de suas respectivas moradas temporárias? Pequena. Qual a probabilidade de escolhermos um fim de semana qualquer e ser o dia de maior celebração local, como o dia do Rei? Essa eu sei até calcular e é muita pequena. Qual a probabilidade de o maior time local de Amsterdã ser campeão holandês nesse fim de semana? Menor ainda. Só mais uma: Qual a probabilidade de tudo isso acontecer no mesmo fim de semana e com nós três lá? Quase impossível! Bendito seja esse “quase”. As leis da probabilidade são de certa forma muito simples e aquilo que chamamos de probabilidade condicional nos mostra que um evento acontecendo somente se outro também acontecer tem probabilidade calculada pela multiplicação, ou seja, coisas pequenas multiplicadas por coisas pequenas ficam ainda mais pequenas. Após algumas semanas de conversas via internet e sem nenhum conhecimento dos eventos acima descritos, escolhemos um fim de semana “qualquer” e compramos as passagens. Agora era certo, vamos a Amsterdã! O primeiro passo, a partir dali, era procurar um lugar pra ficar e foi o que tentamos fazer. Já um pouco experientes em viagens, sabíamos a média os preços dos hotéis ou apartamentos para alugar. Justamente para a ocasião, os preços era em média cerca de 150% mais caros e ficamos apavorados. “Nossa, Amsterdã ta se achando Paris?!” Foi quando resolvemos ver o que acontecia ao trocar as datas para qualquer outro fim de semana. Bingo! Os preços voltavam ao normal. “O que tem esse fim de semana?!” Nós não sabíamos, mas descobrimos então que não só havia o dia do Rei, uma espécie de carnaval de rua em que todos os holandeses e afins vestem laranja e extrapolam o consumo de bebida alcoólica no sábado, mas também o Ajax seria campeão nacional no domingo trazendo novamente a mesma multidão, ainda de ressaca, para as ruas e os canais. Dizem que a “redlight” nunca lucrou como nessa ocasião. Visitamos, admito! Porém não usufruímos de certos serviços. Nossos euros foram reservados para os diversos litros de cerveja que transbordavam de qualidade e de pureza. Me lembro, ainda sóbrio, daquela Kwak que Alavor nos pagou num beco qualquer de Amsterdã. Servida em uma estrutura de madeira que lembrava uma alça e o seu copo que lembrava uma ampulheta, isto é, afunilado ao centro. A estrutura de madeira fazia que nós tomássemos o líquido sagrado sem tocar no copo. Dizem que a idéia original da invenção era para que cocheiros nos tempos napoleônicos pudessem levar sua cerveja encaixada na carroça sem nenhuma preocupação. Haviam leis que não deixavam os mesmos afastarem-se das carroças. No dia do Rei saímos cedo para as ruas já cheias para descobrir que holandeses são pioneiros em inventar drogas, não bastasse todo álcool e erva liberada pela cidade, nos foi oferecido um gás. Isso mesmo, um gás. Um gás que uma vez inalado te fazia tontear a ponto de cair e seu efeito passava em cerca de dez segundos. Cinco euros. Malditos holandeses que com sua língua que mais parece uma mistura de alemão com inglês nos tiravam notas aos montes. Talvez um GPS seja indicado para quem realmente pensa em visitar Amsterdã nesse dia. Juro que não lembro como voltamos ao hotel. Da parte que lembro foi ótima. Teve por exemplo: Holandesas loucas que me beijaram, Suecas que não o fizeram, o Matheus que foi salvo de uma briga (ele vai jurar que não lembra) por mim e por Alavor, uma russa aleatória que apareceu e sumiu em menos de 10 segundos, uma festa em um barco à noite, Alavor pulando nos canais da cidade de cueca e um churrasco de apenas um bife. Mais coisas aconteceram e só sabemos graças às fotos tiradas nos celulares que encontramos no dia seguinte. Se você já viu o filme “Se beber não case”, entende perfeitamente do que estou falando. Sobrevivemos para tomar mais cerveja no outro dia e nos juntarmos à festa da torcida do Ajax em pleno centro de Amsterdã e logo após fazer um passeio de cunho educacional pela famosa “redlight”. Meus amigos, juro que paro por aqui, não falo mais nada. Toda e qualquer coisa que diga a mais pode ser usada contra mim (ou meus amigos) em julgamento futuro. A bem da verdade é que Amsterdã nos proporcionou um verdadeiro King’s weekend.

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