Só quem viveu sabe

May 12, 2017

 

Nossos trapos sujos e gastos, cheios de vida e experiência, voltados para um templo que infelizmente foi adormecido para sempre. O chão tremia tanto quanto qualquer adversário, uma alma que era criada por outras 55 mil não tinha pudor e tão pouco perdão. Quem que como oponente ousa afirmar que não sentiu medo? Nada tinha comparação aquilo. Uma visão panorâmica e horizontal que contemplada lentamente por qualquer um de nós imortais num simples giro de 180 graus arrepiava qualquer pelo do corpo. Um sentimento de vingança trancando junto com um grito na garganta por 6 anos fazia qualquer um entoar suas mais simples e belas palavras de apoio. Queríamos libertar a América de mãos sujas. Eu não tinha nenhuma dúvida, aquilo jamais se repetiria, seja pela causa, seja pelo local, seja por nós mesmos. Que ano incrível! Vivido da maneira mais pura e humana possível. O desconhecido se tornava o mais importante confidente naquele intervalo de 90 minutos. O amigo mais íntimo e inimaginável (exceto pelo fato de que vestia azul) te abraça após um apito final de maneira forte e derradeira, provavelmente nunca mais nos veríamos. As cervejas e vinhos saboreados aos gritos de apoio ainda do lado de fora. Uma torcida que nunca tinha hora pra voltar pra casa, tão pouco para chegar. O entrevero, o cheiro, o amigo, o imortal, o gol e a camisa velha de 1995. Trago, alento e amizade. Não antes tão bem descritos como naquele ano. Faltava o ar pelo cheiro do sinalizador e a recuperação era na marra, pois uma avalanche descia arquibancada a baixo a qualquer momento. Lembro do choro da minha irmã dizendo no último jogo da fase classificatória: “Não vai dar mano!” E mesmo sem saber que o Everton faria aquele inesperado gol de cabeça, eu respondia: “Vai sim, calma!” As oitavas e as duas costelas assadas à paulista, as quartas e os pênaltis não vistos por ela, as semi e o banho de bola que deixou Pelé de boca aberta, a final que nunca terminou porque não tínhamos coração para ver. O choro de um grito que continuou preso por mais nove anos, mas que hoje solto me faz ter certeza de que só mesmo quem viveu aquela Copa Libertadores de 2007 sabe: Nada foi igual!

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