Vivo

September 20, 2015

 

A retomada pela inspiração começa com um pontapé não muito esperado, baseado em fatos distantes e conversas de gênero “Cult”, fomos indo até sabe-se lá onde. Sentir-se vivo, eis a questão, extremamente necessário. Uma necessidade existencial forrada de satisfação e carregada de planejamentos futuros nada discretos. Uma descarga que estava sentindo falta, a de adrenalina. Formada nas glândulas suprarrenais que nos momentos mais intensos aumentam o nível de secreção de adrenalina. Os batimentos cardíacos aumentam, começamos a suar, nossa visão aumenta por decorrência do dilatamento das pupilas e a respiração melhora porque nossos brônquios também dilatam. Estou vivo. Será? Tenho certeza que sim. Por muitos momentos senti que a bandeira pela qual luto estivesse já a meio mastro, mas talvez eu esteja enganado, mesmo que isso não resulte no asteamento total, sei que ele é possível. As junções pouco esperadas de mundo tão distantes não possuem explicação formal ou aparente. Talvez inclusive nunca se dê, mas a possibilidade de um “crush” é inevitável. Fazendo parte da moldura conservadora de uma sociedade decadente, preciso sobreviver ao pior, e acho que talvez consiga. Explicar o que estou dizendo? Parece impossível, mas como diz um velho amigo: “Os fortes entenderão”. Entenderão, por exemplo, que nada pode sair diferente do planejado uma vez que bem planejado. Ou ainda que o jogo tenha apenas sido iniciado, se deve jogar e o particular e estúpido começo faz parte, e como faz. As sequências que aprendi a observar de maneira harmônica, provavelmente não tenham seu espaço nessa partida injusta e cheia de meandros. Por que a gente quer sempre jogar então? Porque se quer sempre vencer. Confesso que escrever sobre esse joguinho é tão complicado quanto jogá-lo. Para tanto é absolutamente necessário vivê-lo de maneira intensa. E como faltava intensidade a alguns dias atrás. Assustadoramente eu diria, mas como disse, agora descobri que estou vivo. Perder o jogo pode fazer parte, mas sair vivo dele é importantíssimo, me deixem jogar de novo e de novo. Até cansar. Até cansar de gostar dele ou de alguém.

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