Grandeza

September 20, 2015

 

Para onde ela foi eu não sei, mas passou. A raiva que sentia já faz parte de um passado recente que me corroia de maneira insensata. A sensação de rancor foi abduzida por uma certa paz interior associada a um novo eu jamais visto, digo visto por mim mesmo. Dizer que de um modo ou de outro as coisas são postas no seu lugar talvez não no devido tempo, é muito verdade. A justiça, por assim dizer, tardará e falhará algumas vezes, mas incessantemente suprirá minha necessidade de satisfazer-me como pessoa. Um simples lógico que precisa ter certeza de tudo, dá seu lugar a um ser absolutamente abstrato que aceita mais carinhosamente algumas incertezas da vida. Rotulado por mim mesmo incapaz de realizar essas escolhas, vou acelerando esse processo perigoso de desocupação lógica da minha mente. Alguns números tendem a dar lugar a idéias jamais pensadas, algumas equações perdem seu espaço intocável, mas sem deixar lacunas, as inequações mais sombrias preenchem esse que até então era considerado um vazio emocional muito potente. Grandeza, talvez seja esse o nome que procuro. Desejar o bem de quem te fez mal, não é para pessoas de grandiosidade duvidosa, mas sim para seres de absoluta paz interior, abstratos ou não com as palavras. Busco isso por muito tempo, ou melhor, buscava. Senti no meu ouvido o barulho do ponto. O ponto do Taekwondo, um estrondo forte que soava ao acertar um chute no tórax do adversário protegido por um protetor de um material sintético que fazia reverberar um som agudo. Antigamente para mim, aquela era uma fagulha de paz. Um momento de esvair, explodir em liberdade, tocar fora todo meu estresse. Aprendi a fazer isso sem precisar bater nos outros, mesmo que de diversas formas ainda queiram bater em mim. Senti o coração apertado num vazio de emoções. Aprendi que o rancor deixava a situação ainda pior. Aprendi que tudo volta e cuido bem o que ponho para fora. Sem chutes dessa vez. Descarrego emoções em palavras de bem, pelo menos para mim parece. Vi aquela estúpida vontade de vingança se demolir em frente ao meu espelho e formar-se uma lágrima de pena. Enxugada por um braço que antes batia e hoje abraça, percebi que nada mais sou que um sensato sonhador mergulhado nos sentimentos mais puros e assustado com a realidade ao meu redor. Infelizmente, percebi que agora estou livre, mas cercado. Cercado de rancor.

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