De longe e de fora

September 13, 2015

 

Era como uma bolha. Um sofrimento interno agudo, um bloqueio mental talvez. Uma visão altamente sofrível e dentro de algo que não funcionava, como um desvio comportamental. A intenção era das melhores, mas não tinha como suscitar o sucesso. O impossível não seria jamais possível dentro daquele padrão, todos sabiam, inclusive nós. A verdade era simplesmente nua e crua, tão nua e tão crua que não poderíamos enxergar, tão forte e tão presente no nosso vazio emocional que chegava a ser assustador. Fortes também eram os ventos que sopravam direção afora nas idéias malucas levantadas dentro daquela bolha. A imensidão da diferença era jamais vista, não tinha como chagar a algum lugar. Porque então alguém (de dentro ou de fora) pensou que seria possível? Não se pode imaginar o porque. Assim como não se pode resolver o impossível e assim como só se pode aceitar o previsível, a bolha estourou e liberdade dos fatos veio à tona com uma clarividência fenomenal, mesmo que para isso levasse alguns dias para um dos internos, já o outro, só ele sabe. Ficou assim acertado que de dentro se enxerga diferente, só não se pode enxergar mal, mas o que te cega afinal? O acúmulo de informação, uma visão precipitada ou uma estranha vontade de que dê certo. Enfim, não se sabe. Agora se sabe apenas que abertura de panorama te faz pensar melhor e que um possível mesmo erro seja quase impossível. Sustentar repetidos erros se chama burrice e isso não é aceitável, ao menos não para mim. Assim como aqueles que amam a ironia dentro da literatura, lembrei de uma frase de Machado de Assis: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Guardadas as devidas proporções, nomeações e conversões monetárias, olhando de longe e de fora, posso apenas dizer que Machado foi um gênio não apenas da literatura, mas da vida.

Please reload

Textos em Destaque

Fusca Azul 1979

November 16, 2016

1/10
Please reload

Mais recentes...

January 24, 2020

June 3, 2019

May 12, 2019

February 13, 2019

December 23, 2018

August 2, 2018

August 1, 2018

December 6, 2017

Please reload

Arquivos
Please reload

Tags