Então, o que você me diz Matemático?

Um matemático por si só não pode compreender o mundo, mas ele vai sempre tentar! Teimosia ou não, eis a questão: Até onde ele vai?

As questões relacionadas ao dia-a-dia de um "amante dos teoremas" são bem mais complicadas do que simplesmente os numeros. Um profissão tão nobre e tão desvalorizada ao mesmo tempo, no país das calças beges, não poderia ser alvo de apreço popular. Afinal, frases como, "É só professor ou também trabalha?" lhe dão base para seguir carregando nas costas a pesquisa desse país, agora sem calças. As infundadas afirmações sobre o futuro da profissão assombra qualquer mulambento estudante de pós-graduação. Eles se perguntam como é possível ser tão importante para o país e receber bolsas de estudos que beiram 10% do salário de um recém formado em engenharia (sem preconceito com estes). As possibilidades dos matemáticos fora do Brasil são de fato encantadoras. É possível trabalhar em diversos setores da industria, por exemplo, no setor de finanças e inclusive com consultorias em diversos campos de atuação. E aqui? Professor!

Porque ser um Matemático então? E ainda por cima, no Brasil?

A paixão por trás da profissão vem de muitos motivos, a pesquisa por si só é uma fonte de reconhecimento em poucos lugares da nossa sociedade. Os congressos (ainda bem que eles existem) estimulam estudantes de pós-graduação mal pagos a continuarem suas pesquisas e fazem da nossa vida uma coisa menos tediosa. Os desafios existentes e que não se resumem somente a esses vão sustentando a escolha maluca, muitas vezes assim denominada pela sociedade, de realizar uma sólida, longa e as vezes "infinita" pós-graduação em terras tupiniquins. Se você é um de nós, nunca desista!

As virtudes do um profissional da área são infelizmente mascaradas atrás de uma carreira afunilada para a pesquisa nacional. Afunilamento esse que difine em outras palavras o limite das grandes idéias que beiram, chegam e com a mesma velocidade vão embora devido as ocupações burocráticas das universidades nacionais. Certa vez ouvi dizer que bachareis, mestres e doutores em matemática são capazes em sua grande maioria de fácil aprendizado em qualquer área da ciência de maneira autodidata. Porque só o Brasil não paga pra ver?

Mesmo com tudo isso, somos um país que recentemente foi premiado com uma medalha Fields (o nosso Nobel) onde Artur Ávila mostrou ao mundo sua pesquisa realizada no departamento de matemática de uma universidade francesa. Nesse caso o Brasil figura apenas nos dados do passaporte de Artur. Apoiado por institutos extrangeiros, asssim como eu fui e muitos foram, ele desenvolve sua pesquisa fora do país já faz mais de 5 anos. Esse medalha seria "nossa" se ele estivesse trabalhando aqui? Talvez. A verdade que ainda não pagamos pra ver, como já disse. A opinião forte de que já passou o tempo de investigar isso, carregada não só por mim, mas pela maioria dos pesquisadores brasileiros, e não só da área de ciências exatas, é gritante.

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